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Segurança do paciente: Cuidado seguro para toda a vida

Todo dia 17 de setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) marca o Dia Mundial da Segurança do Paciente. Em 2026, a OMS escolheu o tema “Cuidado Seguro para Doenças Não Transmissíveis”, com o lema “Safe care for life!” cuidado seguro para toda a vida. A escolha não é aleatória: pela primeira vez, a campanha global coloca no centro do debate um tipo de cuidado que não tem data para terminar.

Por isso, neste artigo, explicamos por que esse tema importa tanto e o que mudou na forma de pensar segurança do paciente. Também retomamos as atitudes práticas que ajudam qualquer pessoa em tratamento contínuo a reduzir riscos ao longo da própria jornada de cuidado.

Por que a OMS escolheu as doenças crônicas em 2026

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/PAHO), o Dia Mundial da Segurança do Paciente de 2026 chama atenção para as doenças não transmissíveis (DNTs) no Brasil, mais conhecidas como Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs): condições como doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas, que podem acompanhar uma pessoa por décadas.

Diferente de um evento pontual, como uma cirurgia ou uma internação de poucos dias, essas condições exigem consultas, exames, medicamentos e ajustes de tratamento ao longo de anos, muitas vezes envolvendo diferentes profissionais e serviços de saúde ao mesmo tempo. E é exatamente essa duração prolongada que aumenta as chances de falhas de comunicação, erros de medicação e perda de acompanhamento entre uma etapa e outra do cuidado.

A campanha oficial da OMS para 2026 reforça esse ponto com um dado ainda mais específico: em algumas condições, como o câncer, até 1 em cada 3 pacientes chega a sofrer algum evento adverso durante o cuidado. Para marcar a data, a própria OMS ilumina de laranja o Jet d’Eau, símbolo de Genebra, junto com monumentos e espaços públicos ao redor do mundo, um gesto simbólico que reforça o compromisso global com um cuidado mais seguro para quem convive com doenças crônicas, em qualquer lugar que receba tratamento.

Os números por trás do tema

Os dados que sustentam essa escolha são expressivos. Segundo a OMS e a OPAS, as DNTs respondem por cerca de 74% de todas as mortes no mundo. Somente em 2021, causaram pelo menos 43 milhões de óbitos — 18 milhões deles antes dos 70 anos, com 82% dessas mortes prematuras concentradas em países de baixa e média renda.

Sobre a segurança em si, o número mais citado pela campanha permanece alarmante: 1 em cada 10 pacientes sofre algum tipo de dano durante a assistência à saúde, e especialistas consideram metade desses casos evitável. Quando o cuidado se estende por anos, como acontece nas doenças crônicas, essa margem de risco se acumula a cada consulta, cada troca de medicamento e cada exame que pode ou não acontecer no prazo certo.

Uma mudança de lógica: do evento agudo à jornada longa

Historicamente, a segurança do paciente nasceu observando eventos agudos: a cirurgia no local errado, o medicamento trocado, a queda durante a internação. São falhas com hora, local e causa relativamente fáceis de identificar e notificar.

As doenças crônicas, porém, impõem uma lógica diferente. Falhas como a conciliação incorreta de medicamentos entre diferentes médicos, um exame de acompanhamento fora do prazo, ou um resultado crítico que não chegou a tempo ao médico responsável, raramente aparecem nos sistemas tradicionais de notificação de incidentes hospitalares. Ainda assim, causam dano real, de forma silenciosa, ao longo do tempo. Por isso, o tema de 2026 pede uma mudança de olhar: medir e cuidar da segurança também fora do hospital, ao longo de toda a jornada do paciente.

O que mudou no Brasil: a PNQSP

A campanha de 2026 chega ao Brasil em um momento específico: é a primeira mobilização depois da instituição da Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente (PNQSP), criada em junho de 2026. A política busca justamente ampliar o conceito de segurança do paciente para além do ambiente hospitalar. Ela reconhece que o cuidado seguro precisa acontecer também na atenção primária, no acompanhamento ambulatorial e no autocuidado.

Esse tipo de política pública importa, portanto, porque estabelece diretrizes formais. Assim, serviços de saúde públicos e privados passam a incorporar a segurança do paciente como parte da rotina de atendimento a doenças crônicas, e não apenas como resposta a incidentes já ocorridos.

O paciente como parte da equipe de segurança

Um dos pontos mais reforçados pela campanha de 2026 é este: pacientes com doenças crônicas, e seus cuidadores, deixam de ser apenas receptores do cuidado. Assim, passam a ser considerados parceiros ativos na identificação de riscos. Como resume a especialista Gilvane Lolato, citada pela imprensa especializada: perguntar, confirmar informações e comunicar qualquer alteração são atitudes simples que reduzem riscos e garantem um tratamento muito mais seguro.

Essa mudança de perspectiva também aparece em conteúdos que já publicamos aqui no blog. Ao explicar, por exemplo, por que a insuficiência cardíaca passou a ser tratada com terapia quádrupla desde o início, mostramos como o acompanhamento próximo e o ajuste constante de tratamento são centrais para o sucesso terapêutico em doenças crônicas. Afinal, esse acompanhamento depende diretamente da participação ativa do paciente.

Cinco atitudes que reduzem risco no dia a dia

Com base no espírito da campanha “Cuidado Seguro para Toda a Vida”, separamos cinco atitudes práticas que qualquer pessoa em tratamento contínuo pode adotar:

Pergunte sempre. Para que serve esse medicamento, como devo tomar, o que esperar nas próximas semanas: entender o próprio plano de cuidado é um direito, não um favor da equipe médica.

Leve a lista completa de medicamentos. Em toda consulta, leve uma lista atualizada de tudo que você usa, incluindo suplementos, fitoterápicos e remédios de uso eventual. Assim, você evita interações perigosas e erros de prescrição, especialmente quando mais de um médico acompanha o mesmo tratamento.

Comunique qualquer mudança. Novo sintoma, efeito colateral, resultado de outro exame, orientação de outro profissional: avise sempre, mesmo que pareça pouco importante.

Não pule exames de acompanhamento. Em tratamentos contínuos, o exame de rotina não é burocracia. É o que permite ajustar o cuidado antes que algo se agrave. Aliás, perder esse acompanhamento é uma das causas mais comuns de dano evitável em doenças crônicas.

Conheça os sinais de alerta. Pergunte ao seu médico quais sintomas exigem retorno imediato, e quais podem esperar a próxima consulta. Saber essa diferença, portanto, evita tanto demora perigosa quanto idas desnecessárias ao pronto-socorro.

Perguntas frequentes sobre segurança do paciente

Por que o tema de 2026 é sobre doenças crônicas? Porque, segundo a OMS, as doenças não transmissíveis respondem por 74% das mortes no mundo e exigem cuidado contínuo por anos, o que aumenta a exposição a diferentes tipos de risco ao longo da jornada de tratamento.

O que significa “cuidado seguro para toda a vida”? É o lema da campanha de 2026. Ele reforça que a segurança do paciente deve acompanhar toda a trajetória do cuidado da prevenção ao diagnóstico, do tratamento ao acompanhamento de longo prazo e ao autocuidado, não apenas episódios pontuais como cirurgias ou internações.

O que é a PNQSP? É a Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente. O Brasil a instituiu em junho de 2026, ampliando o conceito de segurança do paciente para além do ambiente hospitalar, incluindo atenção primária e acompanhamento ambulatorial.

Qual o papel do paciente na própria segurança? A campanha de 2026 defende que pacientes com doenças crônicas sejam parceiros ativos das equipes de saúde. Eles participam da identificação de riscos por meio de atitudes simples, como perguntar, confirmar informações e comunicar mudanças no quadro de saúde.

A maioria dos danos aos pacientes pode ser evitada? Segundo a OMS, especialistas consideram evitável cerca de metade de todos os danos sofridos por pacientes durante a assistência à saúde. Isso reforça a importância de medidas de prevenção simples e constantes.

Conclusão

O Dia Mundial da Segurança do Paciente de 2026 amplia uma conversa que, por muito tempo, ficou restrita aos corredores do hospital. Cuidado seguro para toda a vida significa reconhecer que a segurança de quem convive com uma doença crônica se constrói em cada consulta, cada exame e cada conversa e que o próprio paciente tem um papel ativo nesse processo, não apenas passivo.

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