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Osteoporose em Jovens: causas e sinais de alerta

Quando se fala em osteoporose, a imagem que vem à cabeça é a de uma mulher idosa. Porém, a osteoporose em jovens existe e merece atenção. Segundo uma revisão publicada na revista Reumatología Clínica, cerca de 50% dos pacientes jovens com osteoporose têm uma doença ou um tratamento associado. Ou seja, nessa faixa etária a pergunta mais importante não é “quantos anos você tem?”, e sim “o que está afetando os seus ossos?”.

Por que a osteoporose pode aparecer cedo

Os ossos têm um período de construção

O esqueleto cresce e se fortalece até o início da vida adulta. De acordo com a endocrinologista Manuela Rocha Braz, entrevistada pelo Vitat, a massa óssea se forma principalmente nos primeiros 20 anos de vida. Além disso, a genética pesa muito. Segundo a CNN Brasil, cerca de 80% do pico de massa óssea vem da herança familiar.

Na prática, quem chega à vida adulta com ossos menos densos parte de um ponto mais baixo. Por isso, se uma doença ou um tratamento acelerar a perda, o risco aumenta.

Osteoporose primária e secundária

Assim, nos jovens, a osteoporose costuma se dividir em dois grupos. A forma idiopática, sem causa identificada, também é frequente. Nesses casos, a revisão da Reumatología Clínica aponta que a história familiar de osteoporose costuma aparecer. Já a forma secundária resulta de outra condição. Ela explica cerca de metade dos casos, segundo a mesma revisão. Além disso, o uso de glicocorticoides está entre as associações mais comuns.

As causas mais frequentes

O Manual MSD reúne as principais causas de osteoporose secundária. Elas se agrupam assim:

Grupo Exemplos
Medicamentos e substâncias Glicocorticoides em uso crônico, anticonvulsivantes, inibidores da aromatase, heparina, álcool e tabaco
Doenças endócrinas Hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, hipogonadismo, síndrome de Cushing, hiperprolactinemia, diabetes e falta de vitamina D
Doenças do aparelho digestivo Doença celíaca, síndromes de má absorção e doença hepática
Doenças renais e reumatológicas Doença renal crônica e artrite reumatoide
Outras situações Câncer, imobilização prolongada e perda de peso prolongada

Um consenso de especialistas sobre osteoporose secundária em crianças, resumido pelo portal Afya, amplia essa lista. Ele inclui doença inflamatória intestinal, fibrose cística, leucemias, lúpus, paralisia cerebral, distrofia muscular e anorexia nervosa. Assim, muitas condições crônicas deixam os ossos mais frágeis.

O peso dos tratamentos

Parte dessas causas vem do próprio tratamento. Os inibidores da aromatase, por exemplo, fazem parte de alguns esquemas contra o câncer de mama. Já abordamos esse público no artigo sobre câncer de mama em mulheres jovens. Os glicocorticoides, por sua vez, entram no tratamento de várias doenças inflamatórias.

Isso não significa que o tratamento seja errado. Pelo contrário, ele costuma ser necessário. Portanto, a decisão certa é conversar com o médico sobre o cuidado com os ossos, e nunca interromper o medicamento por conta própria.

Uma doença silenciosa até a fratura

O que costuma acontecer

Em geral, a osteoporose não dá sintomas. Segundo o Portal Afya, ela costuma ser assintomática até a primeira fratura. Essa fratura aparece após um trauma mínimo, como uma queda da própria altura. Ela atinge sobretudo vértebras, punho, quadril e costelas.

Sinais de alerta

Alguns sinais merecem investigação médica. A endocrinologista ouvida pelo Vitat destaca as fraturas recorrentes. Ela lembra também que as fraturas de vértebra ou do colo do fêmur são incomuns em jovens, e os médicos devem sempre investigá-las. Além disso, alguns fatores aumentam o risco:

  • uso prolongado de corticoide;
  • baixo peso;
  • tabagismo e consumo excessivo de álcool;
  • história familiar de fratura;
  • doenças crônicas do intestino, dos rins, da tireoide ou reumatológicas.

Como se faz o diagnóstico

A densitometria óssea (DXA) continua sendo um exame central. Porém, a interpretação muda nos mais jovens. O Portal Afya lembra que os critérios da OMS, baseados no T-score, não valem para mulheres na pré-menopausa nem para homens com menos de 50 anos. Por isso, nesses grupos o médico olha o Z-score, que compara a densidade óssea com a esperada para a idade.

Além disso, a densitometria isolada não fecha o diagnóstico. Segundo o Vitat, ele exige fraturas por fragilidade ou a presença de uma causa secundária. Por isso, a investigação inclui exames de sangue. A revisão da Reumatología Clínica indica estudos amplos para descartar causas secundárias. Já o Portal Afya cita cálcio, fósforo, função renal, hepatograma, hemograma e vitamina D entre os exames de rotina.

O que fazer para proteger os ossos

O tratamento depende da causa. Mesmo assim, algumas medidas valem para quase todos os casos. De acordo com a revisão da Reumatología Clínica, o cuidado inclui estes pontos:

  • Exercício físico regular: o ortopedista Sandro Reginaldo, ouvido pela CNN Brasil, recomenda atividades de força e de impacto;
  • Cálcio e vitamina D em quantidades adequadas: a alimentação e a exposição solar contribuem, e o médico avalia a necessidade de suplementação;
  • Evitar álcool e tabaco: os dois estão na lista de fatores de risco.

Além disso, tratar a doença de base faz parte do cuidado, já que ela costuma ser a origem da perda óssea.

Em relação aos medicamentos para os ossos, a mesma revisão ressalta que a decisão depende da causa e exige cautela em mulheres em idade fértil. Aliás, os dados de tratamento nessa faixa etária ainda são limitados.

Mitos e verdades sobre osteoporose em jovens

“Osteoporose é doença de idoso.” Mito. Ela é mais comum com a idade, mas também aparece em jovens, em geral por causa de outra doença ou de um tratamento.

“Se não sinto nada, meus ossos estão bem.” Nem sempre. A osteoporose costuma não dar sintomas até a primeira fratura.

“Quem usa corticoide deve parar para proteger os ossos.” Mito. A decisão cabe ao médico. O tratamento da doença de base costuma ser necessário, e existem formas de proteger os ossos durante o uso.

“A densitometria sozinha dá o diagnóstico.” Mito. Nos jovens, o diagnóstico considera as fraturas e as causas secundárias, e não apenas o exame.

“Tomar cálcio resolve.” Não necessariamente. O cálcio ajuda, mas o cuidado inclui exercício, vitamina D, evitar álcool e tabaco e tratar a causa.

Perguntas frequentes

Jovem pode ter osteoporose? Sim, embora seja menos comum. Segundo uma revisão da Reumatología Clínica, cerca de 50% dos jovens com osteoporose têm uma doença ou um tratamento associado.

Quais as principais causas de osteoporose em jovens? Entre as principais estão o uso prolongado de glicocorticoides, as doenças endócrinas, as doenças do intestino, como a celíaca, e as doenças renais e reumatológicas. Também entram a anorexia nervosa e alguns tratamentos oncológicos.

Osteoporose em jovens tem sintomas? Em geral, não. A doença costuma aparecer pela primeira vez com uma fratura após trauma mínimo.

Como se diagnostica a osteoporose em quem tem menos de 50 anos? O médico avalia fraturas, histórico, causas secundárias e a densitometria, usando o Z-score. Também pede exames de sangue para investigar a origem da perda óssea.

Quem usa corticoide por muito tempo deve fazer densitometria? O uso prolongado de corticoide é um fator de risco conhecido, e o médico decide quando investigar os ossos e como protegê-los. Nunca suspenda o medicamento por conta própria.

É possível prevenir a perda óssea? Em boa parte dos casos, sim, ou ao menos reduzi-la. Exercício, cálcio e vitamina D adequados, não fumar, evitar álcool em excesso e tratar a doença de base ajudam.

Conclusão

A osteoporose em jovens quase nunca é acaso. Por trás dela, costuma haver uma doença, um tratamento ou uma herança genética que merece investigação. Por isso, quem convive com uma condição crônica deve incluir os ossos na conversa com o médico. Afinal, descobrir a perda óssea antes da primeira fratura muda o rumo do cuidado.