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Surto de Sarampo: Sintomas e por que vacinar importa

O Brasil está enfrentando, em 2026, um surto de sarampo concentrado no estado de São Paulo. Até o início de agosto, a Secretaria Estadual de Saúde confirmou mais de 20 casos. Eles se distribuem entre a capital paulista, São Bernardo do Campo e Guarulhos. A maioria dos casos, porém, ocorreu em pessoas sem vacinação ou com o esquema vacinal incompleto. Isso reacende um alerta que o Ministério da Saúde já vinha fazendo há anos: a cobertura vacinal no Brasil caiu, e isso tem consequências reais.

Neste artigo, explicamos o que está acontecendo, os sintomas do sarampo e por que a vacinação segue sendo, disparado, a ferramenta mais eficaz contra a doença.

O que está acontecendo em São Paulo

Diante da identificação de uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus, o governo do estado de São Paulo iniciou uma campanha de multivacinação nos 645 municípios paulistas. A validade vai de 3 de agosto a 1º de setembro de 2026. Nos três municípios mais afetados, a recomendação inclui vacinação indiscriminada para pessoas de até 59 anos. Além disso, há uma estratégia chamada “dose zero”: uma dose antecipada da vacina tríplice viral para bebês de 6 a 11 meses, grupo considerado mais vulnerável a complicações da doença.

Segundo dados preliminares da Secretaria de Saúde de São Paulo, a cobertura vacinal da tríplice viral no estado está em 77,5% para a primeira dose e 65,5% para a segunda, bem abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde para garantir proteção coletiva. Em nível nacional, cerca de 70% dos municípios brasileiros têm cobertura vacinal abaixo do ideal para prevenir surtos como esse.

Como está funcionando a campanha de vacinação

Desde 3 de agosto, o governo do estado de São Paulo está com a Campanha de Multivacinação “De Olho na Carteirinha 2026” em andamento, com validade até 1º de setembro, nos 645 municípios paulistas. A campanha tem dois focos. O primeiro é atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos em todo o estado. O segundo, nos três municípios com casos confirmados (capital, Guarulhos e São Bernardo do Campo), é oferecer a vacina tríplice viral de forma indiscriminada para toda a população de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal.

Na capital paulista, as 483 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) participam da campanha, com “dose zero” disponível para bebês de 6 a 11 meses desde o fim de junho. No dia 22 de agosto, a prefeitura realiza o “Dia D” da vacinação. Nesse dia, todas as UBSs ficam abertas das 8h às 17h para ampliar a cobertura e regularizar esquemas vacinais em atraso, incluindo ações extramuros em outros pontos da cidade. Além disso, para facilitar a busca por doses disponíveis, a prefeitura disponibiliza a ferramenta on-line “De Olho na Fila“, que mostra quais unidades têm vacina em estoque, atualizada durante o horário de funcionamento dos postos.

Pais e responsáveis devem levar a caderneta de vacinação da criança ao posto de saúde. Assim, a equipe pode verificar doses em atraso. Adultos que não têm comprovação do esquema completo também podem procurar uma UBS durante o período da campanha, mesmo sem sintomas ou exposição conhecida ao vírus.

Por que o sarampo voltou a preocupar

O Brasil eliminou a circulação endêmica do sarampo em 2016. Perdeu esse status em 2018, após um grande surto, e recuperou a certificação de país livre da doença em 2025, segundo a situação epidemiológica oficial do sarampo. Isso significa que o sarampo não circula naturalmente aqui. Os casos atuais, portanto, têm origem em viagens internacionais, principalmente de países vizinhos com surtos ativos, e se espalham quando encontram bolsões de baixa cobertura vacinal.

Essa dinâmica explica por que um número de casos aparentemente pequeno já é motivo de resposta rápida das autoridades de saúde: o sarampo é uma das doenças mais contagiosas que existem. Uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus, em média, para 15 outras pessoas suscetíveis.

Sintomas do sarampo

O sarampo costuma começar com febre alta, tosse seca, coriza e conjuntivite (olhos vermelhos e irritados). Alguns dias depois, surgem manchas brancas na mucosa da boca, seguidas por manchas avermelhadas que começam no rosto e se espalham pelo corpo, sem coceira e sem relevo na pele.

Embora costume ser vista como uma doença “leve” da infância, o sarampo pode causar complicações graves, como pneumonia, encefalite (inflamação cerebral) e, em casos mais raros, morte. Crianças pequenas, gestantes e pessoas imunocomprometidas têm maior risco de complicações.

A vacina: como funciona e quem deve tomar

A proteção contra o sarampo, no Brasil, vem da vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola. O esquema padrão inclui duas doses: a primeira aos 12 meses de idade, e a segunda aos 15 meses. Dependendo do calendário vigente, essa segunda dose vem combinada com proteção adicional contra varicela.

Adultos que não têm comprovação de duas doses na vida também devem se vacinar, já que a proteção não tem prazo de validade uma vez completo o esquema. Durante surtos ativos, como o atual em São Paulo, as autoridades de saúde podem recomendar vacinação de bloqueio em uma área específica. Além disso, podem indicar “dose zero” para bebês mais novos, como estratégia emergencial de contenção.

Existem contraindicações específicas. Gestantes não devem tomar a vacina, por ser produzida com vírus vivo atenuado, embora lactantes possam se vacinar normalmente. Pessoas com imunodeficiência grave ou histórico de alergia grave a componentes da vacina também precisam de avaliação médica antes de tomar a dose. Já quem recebeu recentemente outra vacina de vírus atenuado, como febre amarela ou varicela, deve respeitar um intervalo mínimo, orientado por uma unidade de saúde.

Por que a cobertura vacinal coletiva importa tanto

Vacinas como a tríplice viral não protegem só quem é vacinado. Quando a cobertura vacinal de uma população atinge um patamar alto, geralmente acima de 95% para o sarampo, a circulação do vírus fica muito dificultada. Assim, ela também protege indiretamente quem não pode se vacinar, como bebês muito pequenos ou pessoas imunossuprimidas. Esse efeito se chama imunidade coletiva ou imunidade de rebanho.

Quando a cobertura cai abaixo desse patamar, como está acontecendo em partes do Brasil hoje, a proteção coletiva se enfraquece. Basta, então, a entrada do vírus por uma única pessoa infectada para iniciar uma cadeia de transmissão, como está sendo observado no surto atual em São Paulo.

Por que vacinar quem convive com pacientes imunossuprimidos é tão importante

Pessoas imunossuprimidas, como pacientes em tratamento oncológico, transplantados ou com doenças autoimunes em uso de imunossupressores, muitas vezes não podem receber a vacina tríplice viral, já que ela é feita com vírus vivo atenuado. Para esse grupo, portanto, a exposição ao sarampo representa um risco elevado de complicações graves, justamente no momento em que o sistema imunológico está mais fragilizado.

É aqui que entra a chamada estratégia do casulo (ou “cocoon strategy”). Como o paciente imunossuprimido não pode se vacinar, a proteção dele depende diretamente da vacinação de quem convive ao seu redor. Familiares, cuidadores e profissionais de saúde que têm contato próximo com esses pacientes formam, quando vacinados, uma espécie de barreira protetora. Assim, reduzem a chance de o vírus chegar até quem não pode se defender sozinho.

Por isso, manter a vacinação em dia não é só uma decisão individual. Para famílias que convivem com um paciente imunossuprimido, é também um cuidado direto com a saúde dessa pessoa. Em caso de dúvida sobre quem, na casa, precisa reforçar a vacinação, vale conversar com o médico responsável pelo tratamento do paciente e com uma unidade de saúde.

Perguntas frequentes sobre o surto de sarampo

O sarampo é grave? Pode ser. Muitos casos evoluem sem complicações. Ainda assim, o sarampo pode causar pneumonia, encefalite e, em casos raros, óbito, principalmente em crianças pequenas e pessoas imunocomprometidas.

Quem já tomou as duas doses da vacina precisa se preocupar? Não. Quem completou o esquema vacinal de duas doses tem proteção considerada duradoura contra a doença.

O que é a “dose zero”? É uma dose antecipada da vacina tríplice viral. Ela é aplicada em bebês de 6 a 11 meses em regiões com circulação ativa do vírus, como estratégia emergencial. Vale reforçar: ela não substitui as doses de rotina aos 12 e 15 meses.

Grávidas podem tomar a vacina contra sarampo? Não. A vacina tríplice viral é contraindicada na gestação por ser feita com vírus vivo atenuado. Lactantes, porém, podem se vacinar normalmente.

Como saber se minha vacinação está em dia? O ideal é verificar a caderneta de vacinação ou consultar uma unidade de saúde, que pode confirmar o histórico e orientar sobre a necessidade de doses adicionais.

Como proteger um paciente imunossuprimido que não pode se vacinar? A principal forma é vacinar quem convive com essa pessoa: familiares, cuidadores e profissionais de saúde. Essa é a chamada estratégia do casulo, que forma uma barreira de proteção ao redor de quem não pode receber a vacina.

Como participar da campanha de vacinação em andamento? Basta procurar uma Unidade Básica de Saúde com a caderneta de vacinação em mãos. Na capital paulista, a ferramenta on-line “De Olho na Fila” ajuda a encontrar postos com doses disponíveis. Além disso, o Dia D da vacinação, em 22 de agosto, mantém todas as UBSs abertas das 8h às 17h.

Conclusão

O surto de sarampo em São Paulo é um lembrete direto de que doenças consideradas superadas podem voltar quando a cobertura vacinal cai. A boa notícia é que a proteção contra o sarampo é conhecida, segura e amplamente disponível pelo SUS. Por isso, verificar a caderneta de vacinação, da sua família e da sua própria, é um passo simples que faz parte real da contenção desse tipo de surto.

Verifique sua caderneta de vacinação e procure uma unidade de saúde em caso de dúvida.

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