“Em alguns meses, você não vai conseguir andar 100 metros.” Foi essa frase, ouvida de um médico, que deu nome ao filme espanhol que conta a história real de Ramón Arroyo, um publicitário de 32 anos, dedicado ao trabalho e à família, que recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla exatamente na fase em que sentia ter a vida sob controle.
O filme “100 Metros” (2016), dirigido por Marcel Barrena e estrelado por Dani Rovira, não é só uma história sobre esporte. É uma história sobre o que acontece entre o diagnóstico e a decisão de não se render a ele, e é exatamente esse espírito que nos motivou a apoiar a caminhada de conscientização sobre esclerose múltipla, em parceria com a Minha Voz Importa, no Agosto Laranja.
A história por trás de “100 Metros”
Baseado em fatos reais, o filme acompanha Ramón logo após o diagnóstico de esclerose múltipla. Ele ouve que, em pouco tempo, talvez não consiga mais caminhar sozinho. Diante disso, ele atravessa uma fase de negação e desânimo. O filme retrata essa fase através de outros pacientes que ele encontra na sala de tratamento — cada um lidando com a doença de um jeito diferente.
O ponto de virada, porém, vem através da família. Incentivado pela esposa e treinado pelo sogro, um ex-preparador físico, Ramón decide caminhar seus primeiros 100 metros. A partir daí, ele constrói uma rotina de treino. Anos depois, essa rotina o leva a completar um Ironman: 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida, sem pausa entre eles.
Vale reforçar: o filme não promete que todo paciente de esclerose múltipla vai completar um Ironman, e ninguém deveria lê-lo assim. Ele conta a história de uma pessoa específica, com uma forma específica da doença, sob acompanhamento médico e físico próximo. Ou seja, o valor da história não está na façanha esportiva em si. Está no que ela representa: a decisão de não deixar o diagnóstico definir sozinho o que é possível.
O que é a esclerose múltipla, rapidamente
A esclerose múltipla é uma doença autoimune e inflamatória. Ela afeta o sistema nervoso central. Nela, o sistema imunológico ataca por engano a bainha de mielina, a camada que protege os nervos e permite a comunicação eficiente entre o cérebro e o resto do corpo. Esse ataque, portanto, pode causar sintomas bastante variados: alterações na visão, fadiga, dificuldades motoras, alterações sensitivas e, em alguns casos, impactos cognitivos.
Um dos aspectos mais desafiadores da esclerose múltipla é justamente essa variabilidade. Não existem dois pacientes com a mesma experiência da doença. Isso também significa que não existe uma única resposta sobre “o que fazer” depois do diagnóstico. Por isso, qualquer decisão sobre atividade física, intensidade de treino ou rotina deve passar pela equipe médica que acompanha cada paciente.
Por que essa história conversa com o Agosto Laranja
O Agosto Laranja é o mês de conscientização sobre a esclerose múltipla, e existe por um motivo parecido com o que motivou o filme a ser feito: mudar a forma como a sociedade enxerga a doença. Ramón, em entrevistas sobre sua própria história, comentou que uma de suas motivações era mostrar “outra visão” da esclerose múltipla, não apenas a imagem da cadeira de rodas, mas a diversidade real de como a doença se manifesta e é vivida.
Essa é também a base do projeto Minha Voz Importa, criado por Ana Carolina Rocha Guimarães depois do seu próprio diagnóstico de esclerose múltipla. O que começou como um desabafo se transformou em um movimento que conecta pacientes, familiares e profissionais em uma rede de acolhimento e visibilidade, reforçando, assim como o filme, que o diagnóstico não define quem a pessoa é. É com esse projeto que a Nova Medicamentos tem orgulho de ser parceira na caminhada deste Agosto Laranja.
Como dissemos no anúncio do patrocínio: “não é sobre chegar primeiro, é sobre não desistir.” A frase resume tanto o espírito do filme quanto o da caminhada, o objetivo não é uma performance esportiva, é continuar em movimento, no seu próprio ritmo, com apoio de quem está ao redor.
O papel da comunidade na jornada de quem convive com EM
Se há um fio condutor entre o filme e a caminhada, é o papel da rede de apoio. No filme, a esposa e o sogro de Ramón sustentam sua jornada nos momentos mais difíceis. Na vida real, esse papel se divide entre família, amigos, equipe médica e, cada vez mais, comunidades de pacientes. É o caso do Minha Voz Importa, que Ana Carolina construiu depois de enfrentar, ela mesma, o luto do diagnóstico e o preconceito no ambiente de trabalho.
Eventos como a caminhada de conscientização não têm como objetivo “curar” ou “resolver” a esclerose múltipla, isso é papel do acompanhamento médico contínuo. O papel da caminhada é outro: lembrar que existe comunidade, visibilidade e apoio disponíveis para quem convive com a doença. Além disso, a conscientização pública ajuda a reduzir o isolamento que muitas vezes acompanha um diagnóstico como esse.
Conclusão
“100 Metros” começa com uma frase que soa como sentença. Termina com uma travessia de mais de 226 quilômetros. No meio do caminho, o que muda não é só a distância que Ramón consegue percorrer, mas a forma como ele e quem está ao redor dele encara a doença.
É esse espírito que a Nova Medicamentos quer reforçar ao apoiar a caminhada de conscientização sobre esclerose múltipla neste Agosto Laranja: não é sobre chegar primeiro, é sobre não desistir e sobre não caminhar sozinho.
Acompanhe a Nova Medicamentos e a @minhavozimporta_ para mais informações sobre a caminhada.
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